quarta-feira, 17 de junho de 2020

Bióloga Aponta Brasil Como Pior País No Enfrentamento Ao Coronavírus: 'Prêmio Que Eu Não Gostaria De Merecer'

Especialista afirma que governo federal não tem coordenação ou estratégia para melhorar situação do país

A bióloga e presidente do Instituto Questão de Ciência, Natalia Pasternak, falou da situação do país em meio à desordem da pandemia de coronavírus. Em entrevista a Mário Kertész durante o Jornal da Metrópole no Ar da Rádio Metrópole de hoje (17). Ela comentou que o ritmo de crescimento da doença impede que a situação seja considerada favorável ao retorno à vida normal ainda neste ano. Para a cientista, parte desse problema pode ser compreendido por conta do movimento negacionista.
"É sempre mais difícil ser reativo do que proativo. Quando falamos de comunicar ciência, nosso sonho seria poder comunicar os avanços, a beleza e mostrar tudo o que a ciência traz no dia a dia. Mas, infelizmente por conta desses movimentos anticiência, a gente acaba tendo um trabalho muito mais reativo e fica preso a desmentir e negar coisas que estão circulando. Geralmente acabam levando notícias falsas e falsas esperanças para a população, como curas milagrosas. Isso tudo é misturado com uma polarização política muito forte", disse Pasternak.
Ainda segundo a bióloga, a situação se agrava quando esse posicionamento é adotado pelas autoridades políticas dos países. "Não consigo entrar na cabeça desses líderes e entender como que não enxergam e como não conseguem ver as evidências que estão ali diante do nariz. Quando conseguem, mudam de ideia. O caso do Boris Johnson no Reino Unido foi bem interessante e emblemático. Ele começou negando fortemente a ciência e defendeu a imunidade de rebanho. De repente, ele ficou doente, se viu dentro de um hospitais e sob os cuidados de profissionais de saúde, inclusive imigrantes, que iam muito contra a política dele de ter saído da União Europeia", afirmou. 
Natalia Pasternak comentou que o enfrentamento do Brasil contra o coronavírus é considerado "o pior do mundo". "Nunca vamos saber ser isso é reflexo de total ignorância, que não sabe como funciona, ou se é movido por motivos político-ideológicos ou má-fé. O resultado é assustador. Estamos sem liderança no combate à pandemia e sem ministro da Saúde há mais de um mês, sendo que os últimos dois foram demitidos porque não concordaram com a postura do presidente. É uma situação onde realmente o Brasil parece ser o pior país com enfrentamento da pandemia até agora. É um prêmio que eu, realmente, não gostaria de merecer", declarou a especialista. 
Ela ainda elogiou a coordenação entre o prefeito de Salvador, ACM Neto, e o governador da Bahia, Rui Costa, no combate à Covid-19. "Dá um desespero. A gente não consegue ver como sair dessa situação enquanto a gente continuar com esse governo federal. A situação na Bahia e de Salvador é bonita. Esse é o momento de passar por cima das diferenças política", comentou. 

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