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domingo, 29 de janeiro de 2017

Economia Em Crise Atinge o Carnaval De Salvador


A crise econômica do país está afetando em cheio o Carnaval brasileiro e, por extensão, o Carnaval de Salvador. Faltando pouco mais de um mês  para a festa de rua, o que se nota é uma queda vertiginosa nas vendas dos abadás e a diminuição dos blocos nas ruas.  
O empresário Windson Silva, presidente do tradicional Cheiro de Amor foi o mais radical: anunciou, oficialmente, que o tradicional bloco não irá às ruas este ano.
No meio da crise, o único artista popular que se mantém em alta é o cantor Bell Marques que, mesmo depois de  partir para carreira- solo continua sendo o campeão de vendas de abadás e será o único artista baiano, que vai puxar blocos carnavalescos durante os cinco dias da folia de Momo: sexta e sábado no Vumbora e domingo, segunda e terça no Camaleão.
Além disso, Bell  Marques  faz um arrastão na Avenida na quinta-feira, na abertura do Carnaval de Salvador e toca, também, nos camarotes Skol e Nana Banana. De quebra, ele vai na terça-feira, à noite, tocar em Recife, para o folião pernambucano.

IVETE SANGALO:
Entre as entidades que preferiram diminuir os dias de desfile no Carnaval de Salvador, o grande destaque é para O Cerveja e Cia, de Ivete Sangalo, que sempre saiu três dias, e, este ano, sairá apenas no sábado, no Circuito Barra-Ondina.  
A poderosa Ivete Sangalo reduziu, também, a programação do bloco Coruja, que antes saia três dias. Este ano, o bloco estará no domingo na Avenida com a Timbalada e na segunda, na Barra, com a própria Ivete.
Com isso, os fãs de Salvador e de todo o País, acostumados com ela liderando o bloco por cinco dias no Carnaval vão se contentar em acompanhar a estrela, apenas no sábado e na segunda-feira no Circuito Barra Ondina.

CLAUDIA LEITTE:
A cantora Claudia Leitte também reduziu a programação carnavalesca em 2017. E estará apenas no domingo e na terça no Bloco Largadinho. Na sexta-feira ela estará no Blow Out e no tradicional Bloco Inter, que também vai desfilar somente dois dias, na Avenida, e no domingo e terça com o Psirico.

DURVAL LELYS:
Por sua vez, o cantor e compositor Durval Lelys mantém a tradição do Me Abraça, desfilando no domingo, segunda e terça-feira na Barra.  Mas o Cocobambu que,  tradicionalmente, saía  na quinta, sexta e no sábado no Circuito Barra-Ondina vai sair somente um dia. O cantor de forró Wesley Safadão fez parceria e vai ocupar o espaço na folia de Salvador, comandando o Coco Bambu na quinta-feira.

NANA BANANA:
Outro tradicional bloco, que ficará fora da folia este ano, é o Nana Banana. Comandado pela banda Chiclete com Banana, o Nana desfilava na quinta, sexta e sábado. Depois da saída de Bell Marques, o bloco desfilou por dois anos com o Chiclete, na  sexta e sábado, em novo horário e com um público mais popular. Agora, a direção tomou a decisão e resolveu não colocar o bloco na rua.

BLOCOS AFROS:
A crise econômica, que perpassa todos os setores da sociedade brasileira, afetou também os blocos afros.
O Olodum, que desfilava por três dias diminuiu a sua aparição para dois. Como tradição sairá na sexta-feira na Avenida e no domingo na Barra. 
O Araketu também não vai sair às ruas. Mas  a empresária Vera Lacerda avisa aos fãs da banda, que eles podem esperar porque o grupo vai tocar para o público “pipoca”.
O cantor Saulo é outro grande nome da musica baiana que também foi afetado pela crise. Vai tocar apenas para o  povão. No momento está definindo programação com a Prefeitura de Salvador e também com outros estados da Federação.

CAMAROTES:
A situação do Cheiro de Amor é a que mais preocupa os foliões e as pessoas envolvidas com o Carnaval de Salvador.
 Uma das entidades mais respeitadas da folia baiana, o Cheiro não desfila este ano e o empresário Windson Silva diz que foi difícil tomar a decisão de não colocar o bloco na rua. Explica: “Cantei esta pedra há 14 anos, quando entrei na Justiça com uma ação contra a proliferação dos camarotes”.
 Para Windson, os blocos carnavalescos sofrem com a ”quebradeira” por culpa exclusiva dos camarotes. 
“O Carnaval da Bahia cresceu muito e agora vive esta dificuldade, justamente por causa dos camarotes. Aqueles  que resistem a crise, sobrevivem graças a um ou outro patrocínio. Mas está difícil para todo mundo. Cheguei a fechar uma cota com uma cervejaria, mas  mesmo assim teria prejuízos. Não quis colocar em risco o meu patrimônio pessoal e decidir que o Cheiro não sai. Na verdade, a crise econômica atrapalha tudo. Desde a venda dos abadas à venda de cotas de patrocínio”, desabafa. 
Windson  aponta, também, a situação da Prefeitura de Salvador como responsável por esta situação. Para colocar um bloco na rua, a gente paga várias taxas e  o custo é muito alto mesmo. Não vejo ninguém fazer nada pelas entidades carnavalescas. Estou muito preocupado com toda esta transformação que vem sofrendo o Carnaval de Salvador. Para se ter uma ideia, na segunda-feira apenas As Muquiranas vão desfilar no Campo Grande. Enquanto isso, os camarotes estão se proliferando cada vez mais, e sempre lotados”, finaliza.
A realidade dos fatos fica ainda mais cristalina, quando o olhar de quem observa as mudanças na engrenagem muda a direção. Todos deveriam ficar atentos para a situação atual e ver que o carnaval é feito pela pessoas que vão atrás dos blocos e dos trios. O camarote é apenas um espaço (mais confortável) para se apreciar a festa, que o Brasil inteiro já consagrou. A continuar nessa batida, os tambores e as guitarras vão silenciar e a grande festa da Bahia será muito em breve uma lenda urbana.

Fonte: Tribuna da Bahia.

STJ Decide Que Desacato a Autoridade Não é Mais Crime


Manifestante é detido na avenida Paulista, na área central de São Paulo, por violência e desacato a autoridade

A Quinta Turma do STJ (Superior Tribunal de Justiça) decidiu nesta quinta-feira (15) que desacato a autoridade não pode ser considerado crime porque contraria leis internacionais de direitos humanos.
Os ministros votaram com o relator do caso, Ribeiro Dantas. Ele escreveu em seu parecer que "não há dúvida de que a criminalização do desacato está na contramão do humanismo porque ressalta a preponderância do Estado --personificado em seus agentes-- sobre o indivíduo".
"A existência de tal normativo em nosso ordenamento jurídico é anacrônica, pois traduz desigualdade entre funcionários e particulares, o que é inaceitável no Estado Democrático de Direito preconizado pela Constituição Federal de 88 e pela Convenção Americana de Direitos Humanos", acrescentou.
Segundo o artigo 331 do Código Penal, é crime "desacatar funcionário público no exercício da função ou em razão dela". A pena prevista é seis meses a dois anos de detenção ou multa.

Origem da decisão:
A decisão tomada hoje pelos ministros do STJ teve origem em um recurso especial da Defensoria Pública contra a condenação de um homem pelo Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo a mais de cinco anos de prisão por roubar uma garrafa de conhaque, desacatar policiais militares e resistir à prisão. Os ministros da Quarta Turma do STJ anularam a condenação por desacato.
Em seu relatório, o ministro Dantas afirmou que "a Comissão Interamericana de Direitos Humanos já se manifestou no sentido de que as leis de desacato se prestam ao abuso, como meio para silenciar ideias e opiniões consideradas incômodas pelo establishment, bem assim proporcionam maior nível de proteção aos agentes do Estado do que aos particulares, em contravenção aos princípios democrático e igualitário".
Por fim, o relator observou que a descriminalização da conduta não significa que qualquer pessoa tenha liberdade para agredir verbalmente agentes públicos.
"O afastamento da tipificação criminal do desacato não impede a responsabilidade ulterior, civil ou até mesmo de outra figura típica penal (calúnia, injúria, difamação etc.), pela ocorrência de abuso na expressão verbal ou gestual ofensiva, utilizada perante o funcionário público".

Fonte: UOL Notícias.